domingo, 29 de março de 2009


"Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,

mas a amada já...

Saudade é amar um passado

que ainda não passou,

é recusar um presente que nos machuca,

é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe

o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,

é a dor dos que ficaram para trás,

é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:

não ter por quem sentir saudade,

passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido."
(Pablo Neruda - Saudade)

sexta-feira, 20 de março de 2009

E nunca muda...



E eu nunca entendo, e nem sei se vou. E por mais que eu tente é sempre em vão. Vai ver eu não saiba o que fazer, talvez não, eu realmente não sei, porque eu já fiz de tudo, ou quase tudo, mas parece que nada dá certo. Eu te pergunto e você não me responde o que eu devo fazer.
Já chorei, já ri, já me afastei, já corri atrás, já falei, já escutei, e de nada adianta, a história não muda, o final não muda, embora eu tente. Eu já pensei até em esquecer, mas não dá e eu não quero, não de verdade. Quando quis foi para me enganar, ou foi conseqüência de um sentimento interminável de culpa, essa que me consome. Hodiernamente planejo ir embora, por achar que eu não sou aquilo que você merece ter, que faço da sua vida um inferno onde você não deveria estar, e tudo por uma causa sem um porquê, sem fundamento, tudo, por mais inútil, torna-se motivo para um desentendimento, é quando faço uma escolha, que aliás raramente é certa, uma escolha entre a conversa ou o silêncio. Se te deixo só, te magôo, se vou encontrá-la não falo nada, ou falo demais, e você se irrita, e você se cala.
Eu sou mesmo uma idiota, porque quando eu sei o que fazer, acabo não fazendo, como "ontem". Fico arrasada quando vejo no que dá, e mais arrasada ainda por saber que a culpa é minha, que é sempre minha, você pode dizer que não, mas eu sei que é.
Não conheço meu maior medo, mas acho que o encontrei em você, o medo de que a história mude, que o final mude, e você vá para um lado e eu para o outro, de que o celular não mais toque, de que a mensagem não mais chegue, e quando eu olhar para aqueles retratos, os quais guardam o nosso passado, eu vire e pense, "mais uma vez, a culpa foi minha."

quarta-feira, 18 de março de 2009

São então meus dias


Procuro um tema, uma palavra, alguém, algo. Não vejo nada que não quero enchergar, talvez seja esse o meu ponto forte. Eu fecho meus olhos e sinto a sua presença, pois distante. As vezes choro, confesso, mas não há nada melhor que senti-la, já que não está aqui, embora em pensamento. Há horas que bate uma vontade tremenda de gritar para que você me escute, mas a distância silencia a minha voz, e não resta algo a ser feito, senão esperar. Então eu espero, penso, planejo, espero, espero... eis que chega o dia, e a saudade aumenta, e a vontade aumenta, e o desejo aumenta, e o nervosismo, a anciedade também aumentam, e então eu lembro, que o que nos separa agora é o tempo, ele que tanto pára, ele que é a minha angústia, esse tempo, frustante.

E você chega, ou eu chego, e eu te beijo, ou você me beija, e eu te abraço, ou você me abraça, e nós nos olhamos, demasiadamente contentes. Você pensa e eu penso em como é bom estar alí, tão perto.

Mau percebemos e o tempo, aquele à que tanto pedi preça, chegou e passou, e nós que somos prisioneiras dele, temos que dizer 'até logo', como da última vez, como sempre, apesar de nossas vontades serem contrárias aos deveres que temos. Vejo-te relutar mas não há nada a ser feito, e então, -"tchau meu amor"- é o que ouço sempre, pela última vez.