terça-feira, 1 de setembro de 2009

A inutilidade do ser apaixonado




E como aceitar? Não há como aceitar. Após tanto tempo como me tornei tão inútil? Sirvo somente para o prazer humano, o prazer carnal daquela que diz me amar. Sou tão indiferente que nunca estou presente, que nunca a protejo de coisas banais e reais que vem acontecendo. Talvez tenha me cegado para os males que hodiernamente rondam o nosso ser, mas talvez... somente, talvez! Sou uma inútil tão insegura a dizer NÃO que concordo quando dizem que devo sofrer, embora nunca tenham dito isso a mim.

domingo, 30 de agosto de 2009


... alma gêmea, verdadeiro amor... talvez seja cedo, ou pareça cedo demais, mas eu acredito que eu já encontrei o meu. É... eu acredito nisso! Certo dia fizeram-me uma pergunta semelhante, mas eu não sabia responde-la, eu nunca havia pensado em tal assunto antes. Perguntaram-me se eu acreditava, eu disse que não. Voltei para casa, cheguei, sentei e pensei... pensei se eu realmente não acreditava que pudesse haver alguém que me completasse, alguém que gostasse das mesmas coisas que eu, alguém que me fizesse bem mesmo em horas tão tristes. Pensei a ponto de chegar a uma conclusão tão certa quanto a certeza de meu amor por uma pessoa só... "-É esse amor que me fez acreditar nessa possibilidade, e é essa pessoa que me completa, que gosta das mesmas coisas que eu, que me faz bem mesmo em horas difíceis, é ela a minha alma gêmea, é por ela que meu amor é tão verdadeiro, tão puro, tão doce...-" fico sempre mais obcecada por esse sentimento, sempre mais dependente dele, a ponto de não suportar a dor da distância que é inevitável. Tolamente eu já cheguei a pensar que havia amado alguém de tal forma, mas é impossível... eu nunca senti tanto a falta de alguém como eu sinto a dela, eu nunca me senti tão amada como eu me sinto por ela, eu nunca senti com tanta verdade que nosso destino nos juntou para sempre... que mesmo que alguma coisa intervenha no nosso futuro, isso não mudará em nada o que eu sinto por ela e o que ela sente por mim... e será assim... tão forte. Único! Eu te amo!

sábado, 29 de agosto de 2009

Do outro lado da tarde



Sim, deve ter havido uma primeira vez, embora eu não lembre dela, assim como não lembro das outras vezes, também primeiras, logo depois dessa em que nos encontramos completamente despreparados para esse encontro. E digo despreparados porque sei que você não me esperava, da mesma forma como eu não esperava você. Certamente houve, porque tenho a vaga lembrança - e todas as lembranças são vagas, agora -, houve um tempo em que não nos conhecíamos, e esse tempo em que passávamos desconhecidos e insuspeitados um pelo outro, esse tempo sem você eu lembro. Depois, aquela primeira vez e logo após outras e mais outras, tudo nos conduzindo apenas para aquele momento.

Às vezes me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo, sem a menor tentativa de resistência. Não porque aquilo fosse terrível, ou porque nos marcasse profundamente ou nos dilacerasse - e talvez tenha sido terrível, sim, é possível, talvez tenha nos marcado profundamente ou nos dilacerado - a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou. E foi essa coisa que me levou há pouco até a janela onde percebi que chovia e, difusamente, através das gotas de chuva, fiquei vendo uma roda-gigante. Absurdamente. Uma roda-gigante. Porque não se vive mais em lugares onde existam rodas-gigantes. Porque também as rodas-gigantes talvez nem existam mais. Mas foram essas duas coisas - a chuva e a roda-gigante -, foram essas duas coisas que de repente fizeram com que algum mecanismo se desarticulasse dentro de mim para que eu não conseguisse ultrapassar aquele momento.

De repente, eu não consegui ir adiante. E precisava: sempre se precisa ir além de qualquer palavra ou de qualquer gesto. Mas de repente não havia depois: eu estava parado à beira da janela enquanto lembranças obscuras começavam a se desenrolar. Era dessas lembranças que eu queria te dizer. Tentei organizá-las, imaginando que construindo uma organização conseguisse, de certa forma, amenizar o que acontecia, e que eu não sabia se terminaria amargamente - tentei organizá-las para evitar o amargo, digamos assim. Então tentei dar uma ordem cronológica aos fatos: primeiro, quando e como nos conhecemos - logo a seguir, a maneira como esse conhecimento se desenrolou até chegar no ponto em que eu queria, e que era o fim, embora até hoje eu me pergunte se foi realmente um fim. Mas não consegui. Não era possível organizar aqueles fatos, assim como não era possível evitar por mais tempo uma onda que crescia, barrando todos os outros gestos e todos os outros pensamentos.

Durante todo o tempo em que pensei, sabia apenas que você vinha todas as tardes, antes. Era tão natural você vir que eu nem sequer esperava ou construía pequenas surpresas para te receber. Não construía nada - sabia o tempo todo disso -, assim como sabia que você vinha completamente em branco para qualquer palavra que fosse dita ou qualquer ato que fosse feito. E muitas vezes, nada era dito ou feito, e nós não nos frustrávamos porque não esperávamos mesmo, realmente, nada. Disso eu sabia o tempo todo.

E era sempre de tarde quando nos encontrávamos. Até aquela vez que fomos ao parque de diversões, e também disso eu lembro difusamente. O pensamento só começa a tornar-se claro quando subimos na roda-gigante: desde a infância que não andávamos de roda-gigante. Tanto tempo, suponho, que chegamos a comprar pipocas ou coisas assim. Éramos só nós depois na roda gigante. Você tinha medo: quando chegávamos lá em cima, você tinha um medo engraçado e subitamente agarrava meu braço como se eu não estivesse tão desamparado quanto você. Conversávamos pouco, ou não conversávamos nada - pelo menos antes disso nenhuma frase minha ou sua ficou: bastavam coisas assim como o seu medo ou o meu medo, o meu braço ou o seu braço. Coisas assim.

Foi então que, bem lá em cima, a roda-gigante parou. Havia uma porção de luzes que de repente se apagaram - e a roda-gigante parou. Ouvimos lá de baixo uma voz dizer que as luzes tinham apagado. Esperamos. Acho que comemos pipocas enquanto esperamos. Mas de repente começou a chover: lembro que seu cabelo ficou todo molhado, e as gotas escorriam pelo seu rosto exatamente como se você chorasse. Você jogou fora as pipocas e ficamos lá em cima: o seu cabelo molhado, a chuva fina, as luzes apagadas.

Não sei se chegamos a nos abraçar, mas sei que falamos. Não havia nada para fazer lá em cima, a não ser falar. E nós tínhamos tão pouca experiência disso que falamos e falamos durante muito e muito tempo, e entre inúmeras coisas sem importância você disse que me amava, ou eu disse que te amava - ou talvez os dois tivéssemos dito, da mesma forma como falamos da chuva e de outras coisas pequenas, bobas, insiginificantes. Porque nada modificaria os nossos roteiros. Talvez você tenha me chamado de fatalista, porque eu disse todas as coisas, assim como acredito que você tenha dito todas as coisas - ou pelo menos as que tínhamos no momento.

Depois de não sei quanto tempo, as luzes se acenderam, a roda-gigante concluiu a volta e um homem abriu um portãozinho de ferro para que saíssemos. Lembro tão bem, e é tão fácil lembrar: a mão do homem abrindo o portãozinho de ferro para que nós saíssemos. Depois eu vi o seu cabelo molhado, e ao mesmo tempo você viu o meu cabelo molhado, e ao mesmo tempo ainda dissemos um para o outro que precisávamos ter muito cuidado com cabelos molhados, e pensamos vagamente em secá-los, mas continuava a chover. Estávamos tão molhados que era absurdo pensar em sairmos da chuva. Às vezes, penso se não cheguei a estender uma das mãos para afastar o cabelo molhado da sua testa, mas depois acho que não cheguei a fazer nenhum movimento, embora talvez tenha pensado.

Não consigo ver mais que isso: essa é a lembrança. Além dela, nós conversamos durante muito tempo na chuva, até que ela parasse, e quando ela parou, você foi embora. Além disso, não consigo lembrar mais nada, embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe, mas sei perfeitamente quando uma lembrança começa a deixar de ser uma lembrança para se tornar uma imaginação. Talvez se eu contasse a alguém acrescentasse ou valorizasse algum detalhe, assim como quem escreve uma história e procura ser interessante - seria bonito dizer, por exemplo, que eu sequei lentamente seus cabelos. Ou que as ruas e as árvores ficaram novas, lavadas depois da chuva. Mas não direi nada a ninguém. E quando penso, não consigo pensar construidamente, acho que ninguém consegue. Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa - depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou.
(Caio Fernando Abreu - O ovo apunhalado)

terça-feira, 14 de julho de 2009

You and Me


...e todos os dias eu ouvia a sua voz, mesmo que por um instante, eu ouvia a sua voz, sempre tão calma, sempre tão singular. Você dizia e repetia o que eu já acostumava-me a ouvir. Eu nunca vou me esquecer, e como poderia? eu não poderia, eu não conseguiria. Cada vez que o telefone toca eu penso em você, e penso em como era doce o sentimento, em como era verdadeira cada palavra que você incansadamente falava. Agora eu já sei, eu te amei, eu te amei como se não houvesse um amanhã, eu te amei com todo o meu coração, eu te amei, e como eu te amei, e como eu te amo, e sempre vou amar. Você fez parte de mim, é verdade, você faz parte de mim. És tudo o que eu sou, tudo o que tenho, e não preciso de nada mais.

terça-feira, 7 de abril de 2009


Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...

domingo, 29 de março de 2009


"Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,

mas a amada já...

Saudade é amar um passado

que ainda não passou,

é recusar um presente que nos machuca,

é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe

o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,

é a dor dos que ficaram para trás,

é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:

não ter por quem sentir saudade,

passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido."
(Pablo Neruda - Saudade)

sexta-feira, 20 de março de 2009

E nunca muda...



E eu nunca entendo, e nem sei se vou. E por mais que eu tente é sempre em vão. Vai ver eu não saiba o que fazer, talvez não, eu realmente não sei, porque eu já fiz de tudo, ou quase tudo, mas parece que nada dá certo. Eu te pergunto e você não me responde o que eu devo fazer.
Já chorei, já ri, já me afastei, já corri atrás, já falei, já escutei, e de nada adianta, a história não muda, o final não muda, embora eu tente. Eu já pensei até em esquecer, mas não dá e eu não quero, não de verdade. Quando quis foi para me enganar, ou foi conseqüência de um sentimento interminável de culpa, essa que me consome. Hodiernamente planejo ir embora, por achar que eu não sou aquilo que você merece ter, que faço da sua vida um inferno onde você não deveria estar, e tudo por uma causa sem um porquê, sem fundamento, tudo, por mais inútil, torna-se motivo para um desentendimento, é quando faço uma escolha, que aliás raramente é certa, uma escolha entre a conversa ou o silêncio. Se te deixo só, te magôo, se vou encontrá-la não falo nada, ou falo demais, e você se irrita, e você se cala.
Eu sou mesmo uma idiota, porque quando eu sei o que fazer, acabo não fazendo, como "ontem". Fico arrasada quando vejo no que dá, e mais arrasada ainda por saber que a culpa é minha, que é sempre minha, você pode dizer que não, mas eu sei que é.
Não conheço meu maior medo, mas acho que o encontrei em você, o medo de que a história mude, que o final mude, e você vá para um lado e eu para o outro, de que o celular não mais toque, de que a mensagem não mais chegue, e quando eu olhar para aqueles retratos, os quais guardam o nosso passado, eu vire e pense, "mais uma vez, a culpa foi minha."

quarta-feira, 18 de março de 2009

São então meus dias


Procuro um tema, uma palavra, alguém, algo. Não vejo nada que não quero enchergar, talvez seja esse o meu ponto forte. Eu fecho meus olhos e sinto a sua presença, pois distante. As vezes choro, confesso, mas não há nada melhor que senti-la, já que não está aqui, embora em pensamento. Há horas que bate uma vontade tremenda de gritar para que você me escute, mas a distância silencia a minha voz, e não resta algo a ser feito, senão esperar. Então eu espero, penso, planejo, espero, espero... eis que chega o dia, e a saudade aumenta, e a vontade aumenta, e o desejo aumenta, e o nervosismo, a anciedade também aumentam, e então eu lembro, que o que nos separa agora é o tempo, ele que tanto pára, ele que é a minha angústia, esse tempo, frustante.

E você chega, ou eu chego, e eu te beijo, ou você me beija, e eu te abraço, ou você me abraça, e nós nos olhamos, demasiadamente contentes. Você pensa e eu penso em como é bom estar alí, tão perto.

Mau percebemos e o tempo, aquele à que tanto pedi preça, chegou e passou, e nós que somos prisioneiras dele, temos que dizer 'até logo', como da última vez, como sempre, apesar de nossas vontades serem contrárias aos deveres que temos. Vejo-te relutar mas não há nada a ser feito, e então, -"tchau meu amor"- é o que ouço sempre, pela última vez.